Minha irmã Leduína
Eu estou aqui, agora, escrevo, vejo-me diante do computador, em minha casa, sons dos carros, latidos de um cachorro, vou preparar o almoço, estou viva. A irmã mais nova, contrariando a expectativa de que viveria mais do que eu, não está mais aqui. Não vai mais enviar mensagens, telefonar, se queixar, mostrar toda sua fragilidade e apego ao que a mantinha à tona. Pai e mãe morrem, curso natural, ainda mais quando sofriam de doença incurável (meu pai) e de recusa de tratamento (minha mãe). Mas quando se trata de irmã, a perspectiva muda. Irmãos se vão conforme a idade, é o que se presume, erradamente no entanto. Morre-se a qualquer momento por qualquer motivo, "encontro imprevisto", dizia o filósofo... Morte súbita, o coração pregando suas peças inevitavelmente, para sempre. Parou de bater, incrível, e incrível que em poucos instantes ainda havia vida. O poeta diz, "nunca mais", nossa mortalidade é deixada em segundo plano, convenientemente esquecida. E ela vem, a ...