Postagens

Mostrando postagens de maio, 2019

O colégio São José

Imagem
As irmãs (freiras) do Colégio São José na Lapa dos anos 1956-1960, eram criaturas queridas, sorridentes, afáveis. Deixavam as crianças seguras, acho que eram raras as que não gostavam de ir ao colégio. Ocupava (e hoje colégio estadual) metade de uma quadra na rua Barão do Cerro Azul. O prédio numa esquina, o campo de futebol na outra.  As salas do prédio antigo se enfileiravam ao longo do pátio. Primeiro, segundo anos, jardim de infância. No fim do corredor, o acesso à secretaria, à sala da "ma mère", que vinha a ser a diretora, e num quartinho o armário com santinhos e pequenas lembranças que a "Ma Mère" nos dava. Quando no quarto ano passávamos a ocupar a sala que ficava no prédio novo, subíamos pela escada, no início dela ficava o sino. No jardim de infância as crianças eram dispostas em mesinhas, poucos brinquedos, no caderno de caligrafia traçávamos os "is", pequenos pauzinhos para adquirir firmeza.  Uniforme do Colégio São José, saia, camisa ...

Os carnavais

Imagem
Na calçada molhada pela garoa, confetes grudados. Ao nos aproximarmos do clube, o som da banda, as marchinhas e o soar do saxofone e dos bumbos já se faziam ouvir. O coração batia, e ao subir a escada que levava ao salão as mesas estavam tomadas, no palco os músicos enchiam o ar, o silêncio da tarde de domingo desaparecia. Precisávamos comprar o pacote de confete para cada um de nós, outro de serpentina na ante sala, mas em geral trazíamos as bisnagas de casa, com sangue de diabo feito na farmácia do seu Oscar. Raras as crianças sem fantasia, havia mesmo um concurso, e a mais forte das candidatas era a Fátima Tank. Mas minha mãe caprichava, fui fantasiada de tudo um pouco a de galo, gata, folia, bailarina, de sarongue, e meus irmãos de índio, cowboy, coelha, baiana. Gatinha e coelhinha As primas: a Beatriz, era vestida com esmero pela tia Lourdes, Nina e Vera Maria idem pela tia Vera.  Bailarina, índia, pirata, moicana, cigana, ciganinho e palhaço E assim os personagens...

Rios, piscina, poços: as águas e a falta delas

Meu pai dizia que a topografia da Lapa parecia com a de uma bacia de ponta cabeça. Logo depois da chuva, as ruas logo se apresentavam secas. E no período de seca, os riachos que abasteciam a cidade minguavam e nada de água em casa. O jeito era apelar para os poços, quase todas as casas tinham o seu. Nós não... Então precisávamos pedir para o vizinho de frente, um terreno plano, todo gramado, onde pastavam algumas vacas. De balde em balde, a casa era abastecida. Tomávamos banho em uma pequena tina, até que a caixa de água se enchesse novamente.  Quando havia problema com a boia, e isso era frequente, meu pai subia pelo armário do banheiro, dava um impulso e entrava no forro para verificar o problema. Tentei uma vez essa aventura, sem sucesso...  Outro modo de captar água era pela nascente, havia uma de água cristalina e fresquinha, mas como ficava a três quadras, só usávamos para tirar a sede. Em dias de chuvarada as brincadeiras eram dentro de casa, montar cabana e olhar p...