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Mostrando postagens de fevereiro, 2022

As feridas que marcam

 Ontem, dia 26 de fevereiro, fez um mês da morte de minha irmã Leduína. Um acidente na infância nos marcou, a mim por me sentir culpada, a ela por perder parte do dedo médio. Foi ferida incurável. Levou muito tempo para eu entender que não se culpa uma criança pelas brincadeiras. Se hoje em dia pais e responsáveis estão mais atentos, até mesmo em demasia, na década de 50 ficávamos mais soltas, havia quintais, vizinhos, bairros e mesmo a pequena cidade da Lapa que não ofereciam perigo. A ferida em minha irmã foi mais marcante, afetou a todos da família. Em um rompante de que apenas hoje me dou conta, soquei a vidraça da vizinha de minha avó, me machuquei de propósito. Era Natal e o vestido de festa ficou todo ensanguentado. Eu também precisava de uma ferida, de atenção e como que de resgate. No caso dela, um silêncio, a marca era disfarçada, vista como um defeito deveria ser escondida de todos. Claro que não dela. Um temperamento frágil e uma super proteção a fizeram dependente, inc...