O colégio São José

As irmãs (freiras) do Colégio São José na Lapa dos anos 1956-1960, eram criaturas queridas, sorridentes, afáveis. Deixavam as crianças seguras, acho que eram raras as que não gostavam de ir ao colégio.
Ocupava (e hoje colégio estadual) metade de uma quadra na rua Barão do Cerro Azul. O prédio numa esquina, o campo de futebol na outra. 
As salas do prédio antigo se enfileiravam ao longo do pátio. Primeiro, segundo anos, jardim de infância. No fim do corredor, o acesso à secretaria, à sala da "ma mère", que vinha a ser a diretora, e num quartinho o armário com santinhos e pequenas lembranças que a "Ma Mère" nos dava.
Quando no quarto ano passávamos a ocupar a sala que ficava no prédio novo, subíamos pela escada, no início dela ficava o sino.
No jardim de infância as crianças eram dispostas em mesinhas, poucos brinquedos, no caderno de caligrafia traçávamos os "is", pequenos pauzinhos para adquirir firmeza. 
Uniforme do Colégio São José, saia, camisa branca, sapato colegial
No 1o. ano, a professora foi a "Ma Soeur" Georgina, que depois desistiu do hábito. Bonita, gentil, seu abraço nos envolvia com carinho. O quadro na frente, os colegas de uniforme caqui, as meninas de saia azul marinho plissada, camisa branca e os sapatos eram chamados de "sapato colegial", pretos com sola de borracha. 
Iniciar o primeiro ano não foi simples, na hora do recreio, pátio cheio, me acomodei no banco bem quieta, receosa. Uma aluna mais velha se aproximou e me encorajou a ir brincar.
No segundo ano, Irmã Neli, uma freira mais velha e bem baixinha. Nos aterrorizava com as histórias do inferno para os pecadores, certa vez ilustrou o mistério da Santíssima Trindade com três velas cujas chamas unidas significavam Deus, Espírito Santo e Jesus, distintos e ao mesmo tempo um só.
No 3o ano apareceu uma professora leiga que ajudava a irmã Celestina. O máximo foi o 4o ano com a irmã Áurea. Nos preparou para o Exame de Admissão, com livro grosso e muito a aprender e decorar. Saber o ponto de história de cor era algo disputado. Poucos conseguiam, entre eles o Júlio Pierin, um dos mais queridos ("peixinho") da irmã Áurea. Assim achávamos, era ele quem batia o sino!
E há mais, muito mais. Fica para próxima postagem.

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