Os carnavais
Na calçada molhada pela garoa, confetes grudados. Ao nos aproximarmos do clube, o som da banda, as marchinhas e o soar do saxofone e dos bumbos já se faziam ouvir. O coração batia, e ao subir a escada que levava ao salão as mesas estavam tomadas, no palco os músicos enchiam o ar, o silêncio da tarde de domingo desaparecia.
Precisávamos comprar o pacote de confete para cada um de nós, outro de serpentina na ante sala, mas em geral trazíamos as bisnagas de casa, com sangue de diabo feito na farmácia do seu Oscar.
Raras as crianças sem fantasia, havia mesmo um concurso, e a mais forte das candidatas era a Fátima Tank. Mas minha mãe caprichava, fui fantasiada de tudo um pouco a de galo, gata, folia, bailarina, de sarongue, e meus irmãos de índio, cowboy, coelha, baiana.
Rodar e rodar, pular até não poder mais, a poeira levantava no salão. No dia seguinte a barriga da perna doía.
Nessa época havia os chamados entrudos, brincadeiras com baldadas de água em quem passasse pela frente das casas. Certa vez, comandados por uma tia afeita a estripulias, apareceram lá em casa, e meu pai os "enfrentou" vestido com pijama. Resultado, a roupa molhada ficou transparente...
E quem quisesse continuar com carnaval fora de época, era abrir o gavetão da mansão, a casa de minha avó, e retirar fantasias de minhas tias e tios, ainda conservadas, vestir e assumir o personagem.
Os adultos também se divertiam. Certa vez, meus pais resolveram se esconder em dominós, roupas que iam da cabeça aos pés. Como o gorro não coube na cabeça de meu pai, uma cabeçorra segundo ele mesmo dizia, foi obrigado a ir já fantasiado na loja do Elias Assad comprar uma máscara.
Já de noitinha, voltando vestido a caráter, foi perseguido a pedradas por uns piás na esquina do Fórum, teve que ir na desabalada na quadra que ia até em casa.
Perguntar, "Oh Jardineira por que estás tão triste?", apenas um eco.
Precisávamos comprar o pacote de confete para cada um de nós, outro de serpentina na ante sala, mas em geral trazíamos as bisnagas de casa, com sangue de diabo feito na farmácia do seu Oscar.
Raras as crianças sem fantasia, havia mesmo um concurso, e a mais forte das candidatas era a Fátima Tank. Mas minha mãe caprichava, fui fantasiada de tudo um pouco a de galo, gata, folia, bailarina, de sarongue, e meus irmãos de índio, cowboy, coelha, baiana.
Gatinha e coelhinha
As primas: a Beatriz, era vestida com esmero pela tia Lourdes, Nina e Vera Maria idem pela tia Vera.
Bailarina, índia, pirata, moicana, cigana, ciganinho e palhaço
E assim os personagens iam aparecendo nas figuras infantis com suas máscaras de plástico debruadas de veludo, uma proteção contra lança perfume. Rodar e rodar, pular até não poder mais, a poeira levantava no salão. No dia seguinte a barriga da perna doía.
Nessa época havia os chamados entrudos, brincadeiras com baldadas de água em quem passasse pela frente das casas. Certa vez, comandados por uma tia afeita a estripulias, apareceram lá em casa, e meu pai os "enfrentou" vestido com pijama. Resultado, a roupa molhada ficou transparente...
E quem quisesse continuar com carnaval fora de época, era abrir o gavetão da mansão, a casa de minha avó, e retirar fantasias de minhas tias e tios, ainda conservadas, vestir e assumir o personagem.
Os adultos também se divertiam. Certa vez, meus pais resolveram se esconder em dominós, roupas que iam da cabeça aos pés. Como o gorro não coube na cabeça de meu pai, uma cabeçorra segundo ele mesmo dizia, foi obrigado a ir já fantasiado na loja do Elias Assad comprar uma máscara.
Já de noitinha, voltando vestido a caráter, foi perseguido a pedradas por uns piás na esquina do Fórum, teve que ir na desabalada na quadra que ia até em casa.
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Carnavais em clube, com banda e marchinhas rarearam.Perguntar, "Oh Jardineira por que estás tão triste?", apenas um eco.


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