Natal e fim da infância
A expectativa da festa natalina era grande. Os pais viajavam com toda a família da Lapa para Curitiba para comprar os presentes nas lojas de brinquedos. Fazíamos, os que já sabiam escrever, uma lista de desejos em geral muito simples.
No passeio à cidade grande na rua principal, éramos surpreendidos por um Papai Noel, a quem chamávamos de "Velhinho de Natal". Ele ficava sentado na porta da loja e oferecia balas retiradas de uma lata. Havia também a foto com o personagem.
De volta à pequena cidade, os presentes eram escondidos. Certa vez escalei o armário do quarto de costura e descobri os embrulhos lá em cima. Fiquei decepcionada comigo mesma pelo achado, teria preferido a surpresa.
Na véspera do dia 25, a mãe e montava o pinheirinho e nós saíamos para um passeio de carro com o pai. Era para não atrapalhar a lida com a árvore, que era "de verdade", com aproximadamente metro e meio, colocada com terra em uma lata. Os enfeites eram bolas, estrelas e outras peças muito frágeis, velas fixadas nos galhos e algodão para fazer de conta que era neve. As velas eram acesas só no dia de Natal. Ficava no canto da sala de jantar para admiração das crianças e objeto de extremo cuidado para não esbarrar e acabar quebrando um dos enfeites. O que eventualmente acontecia...
Depois do banho, com pijamas novos, confeccionados pela minha mãe especialmente para a data, ficávamos aguardando o som do sino do Velhinho de Natal, alguém que meu pai contratava para vir distribuir os presentes. A excitação era enorme!
Correrias da porta de entrada até a copa, sem parar, impossível esconder a alegria.
Enfim, uma mancha vermelha por detrás da porta de vidro, a chegada do personagem com saco dos presentes. No último Natal na Lapa, antes de nos mudarmos para Curitiba, os mais velhos já sabiam que não existia a figura do Papai Noel e tentávamos descobrir quem vinha fantasiado. De todo modo, a emoção era a mesma. Presentes distribuídos, organizei os meus no sofá. Eu havia ganho um coração de ouro, e minha mãe explicou que era por ter passado no exame de Admissão (prova para ser admitida no Ginásio depois de cursar os quatro anos do Primário).
Cansados, vinha o sono e mais festa no dia seguinte.
Uma longa mesa de madeira era montada no pátio interno, cada filha ou nora trazia um prato e uma sobremesa.
O peru assado na padaria do tio Osmário era o rei da mesa. E ainda havia frango, pernil, maionese, farofa, macarronada.
Para as crianças gasosa, para os adultos cerveja.
Nós podíamos misturar cerveja com água e açúcar, nem sei como aguentávamos essa beberagem...
Acho que no Natal de 1960 não houve esse almoço, meu avô tinha morrido recentemente, em agosto daquele ano.
Foi um ano de passagem, eu acabara o 4o. ano primário, houve a morte do avô, e o convite do recém eleito (outubro) governador Ney Braga para que meu pai fosse diretor do Departamento do Municípios (DATM), que foi aceito.
E nos mudamos para Curitiba.
A minha infância acabara.
Fevereiro de 1961 o caminhão da empresa "A Lusitana" com nossa mudança seguiu rumo à nova vida na capital.
Vi lágrimas no rosto de minha mãe e da tia Noeli que ficara conosco na calçada em frente à casa da avenida Manoel Pedro, 693.
No passeio à cidade grande na rua principal, éramos surpreendidos por um Papai Noel, a quem chamávamos de "Velhinho de Natal". Ele ficava sentado na porta da loja e oferecia balas retiradas de uma lata. Havia também a foto com o personagem.
De volta à pequena cidade, os presentes eram escondidos. Certa vez escalei o armário do quarto de costura e descobri os embrulhos lá em cima. Fiquei decepcionada comigo mesma pelo achado, teria preferido a surpresa.
Na véspera do dia 25, a mãe e montava o pinheirinho e nós saíamos para um passeio de carro com o pai. Era para não atrapalhar a lida com a árvore, que era "de verdade", com aproximadamente metro e meio, colocada com terra em uma lata. Os enfeites eram bolas, estrelas e outras peças muito frágeis, velas fixadas nos galhos e algodão para fazer de conta que era neve. As velas eram acesas só no dia de Natal. Ficava no canto da sala de jantar para admiração das crianças e objeto de extremo cuidado para não esbarrar e acabar quebrando um dos enfeites. O que eventualmente acontecia...
Depois do banho, com pijamas novos, confeccionados pela minha mãe especialmente para a data, ficávamos aguardando o som do sino do Velhinho de Natal, alguém que meu pai contratava para vir distribuir os presentes. A excitação era enorme!
Correrias da porta de entrada até a copa, sem parar, impossível esconder a alegria.
Enfim, uma mancha vermelha por detrás da porta de vidro, a chegada do personagem com saco dos presentes. No último Natal na Lapa, antes de nos mudarmos para Curitiba, os mais velhos já sabiam que não existia a figura do Papai Noel e tentávamos descobrir quem vinha fantasiado. De todo modo, a emoção era a mesma. Presentes distribuídos, organizei os meus no sofá. Eu havia ganho um coração de ouro, e minha mãe explicou que era por ter passado no exame de Admissão (prova para ser admitida no Ginásio depois de cursar os quatro anos do Primário).
Cansados, vinha o sono e mais festa no dia seguinte.
Natal de 1958 (ou 57?), ainda na casa da Padaria Zeni
Na casa de minha avó Lídia, se reuniam todo Natal os oito filhos, noras e genros, e mais a netarada.O peru assado na padaria do tio Osmário era o rei da mesa. E ainda havia frango, pernil, maionese, farofa, macarronada.
Para as crianças gasosa, para os adultos cerveja.
Nós podíamos misturar cerveja com água e açúcar, nem sei como aguentávamos essa beberagem...
Acho que no Natal de 1960 não houve esse almoço, meu avô tinha morrido recentemente, em agosto daquele ano.
Foi um ano de passagem, eu acabara o 4o. ano primário, houve a morte do avô, e o convite do recém eleito (outubro) governador Ney Braga para que meu pai fosse diretor do Departamento do Municípios (DATM), que foi aceito.
E nos mudamos para Curitiba.
A minha infância acabara.
Fevereiro de 1961 o caminhão da empresa "A Lusitana" com nossa mudança seguiu rumo à nova vida na capital.
Vi lágrimas no rosto de minha mãe e da tia Noeli que ficara conosco na calçada em frente à casa da avenida Manoel Pedro, 693.

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