Mudança para Curitiba

 Chegamos em Curitiba para morar e não mais para nos hospedarmos na casa da Augusto Stellfeld, com a vovó Cecília.

Tio Fábio conseguiu uma casa para meu pai alugar, pertencia a um ex-prefeito de Curitiba, Abílio Ribeiro.

Nossa primeira noite foi na casa do tio Luciano, vizinha à de minha avó. E qual a sensação de se ver em meio a tanta novidade? Insegurança, curiosidade, procurar objetos perdidos em meio à barafunda que chegou à casa nova, muito menor que a nossa da Lapa. Em terreno triangular, na esquina da rua do Herval com a Ubaldino do Amaral e comecinho da Visconde de Guarapuava. Jardim mal cuidado, garagem separada em frente ao pequeno quintal em cujo fundo abrigava-se uma ameixeira. Havia mais uma outra única árvore, no jardim da frente, que dava uma florezinhas amarelas.

A novidade foi o chamado jardim de inverno, logo na entrada, com piso de cerâmica e extremamente frio no inverno, ora vejam... Nele foi instalada a máquina de lavar roupa, que nunca funcionou direito.

Dali se passava para o escritório, para a sala com uma lareira que soltava fumaça, e da sala se abria porta para a copa-cozinha e o corredor que dava para os três apertados quartos e o banheiro em forma de triângulo, que se estreitava até um armário onde ficava também a roupa suja.

Nossa empregada também veio apesar de não gostar da novidade. Seu quarto e banheiro ficavam para fora, ao lado do tanque. Só a Terezinha mesmo, esse era seu nome, para aguentar o batente de lavar, cozinhar, arrumar, limpar para nossos pais e nós quatro, os filhos.

Compras passaram a ser feitas no novo Mercado Municipal, logo descendo a rua e virando à esquerda na 7 de Setembro. Fomos matriculados, os meninos André e Francisco, no Colégio Medianeira, eu e a Leduína no Colégio Divina Providência.

Acomodados os móveis cujo tamanho era desproporcional à casa nova, seria preciso se acostumar às novidades. A mais importante e que tinha sido o motivo da mudança, foi a nomeação pelo novo governador Ney Braga de meu pai no Departamento de Administração dos Municípios, com sede no edifício de torrinha preta na rua Dr Muricy. Nos sentíamos importantes, afinal era um cargo de direção com direito a carro com motorista!

Agora acesso a médicos, escola, muitos cinemas, visitas à maioria dos tios e tias paternos que moravam na capital, na cidade grande, ruas asfaltadas, ônibus urbanos, trânsito, lojas que fascinavam...

E a cidade de Curitiba acabou por se tornar a nossa cidade, ganhou inclusive apelido do meu pai, "Tibitice", da qual se orgulhava.

Mais histórias na próxima postagem...

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