A morte de meu avô materno

Agosto de 1960, dia 09, não costumo lembrar de datas, mas esta é inesquecível.
Meus avós tinha viajado para o norte do Paraná para visitar em Tamboara (se não me engano) a família de meu tio apelidado de "Polaco". No retorno para a Lapa, na altura de São Luis do Purunã, sofreram um acidente. A camionete vinha cheia: motorista, meus avós, meus tios e seus cinco filhos: Ana Néri, Jurema, Avelino, Marquinhos e Maria Lídia.
Meu avô teve sérios ferimentos, Ana Néri e a avó menos graves.
No hospital em Ponta Grossa foram dias de muita angústia e expectativa.
O anúncio da morte do vovô foi um choque, em especial para as filhas, minha mãe em particular.
Gritaria, injeção para acalmar, meu pai fazendo de tudo para que nós, crianças de 10 a 4 anos, não ficássemos tão apavorados. Fomos para a vizinha, dia seguinte para a casa de minha outra avó, assim ficaríamos longe daquela situação traumática.
Duas experiências deste dia: minha tia ofereceu ovo cozido no vapor em um copo. Fazendo muita ânsia, quase impossível engolir, me esforcei. Era assim conosco, crianças obedeciam simplesmente. Nada parecido com as contestadoras de hoje...
A outra experiência marcante foi algum adulto entender que eu e minha irmã deveríamos ir ao velório.
Lá chegando, uma tia em prantos meio desacordada num quarto, minha mãe idem em outro quarto. Tia Lurdes mais forte, enfrentando a morte. 
Num rápido olhar, lá estava o avô no caixão, foi-se o rosto corado de sempre, mãos entrelaçadas, agora rígidas. Caímos fora.
Tivemos que enfrentar nas semanas seguintes o luto de minha mãe, foi angustiante vê-la toda de preto, inconsolável, na cama.
Pior minha avó, nunca se recuperou. Abatida, sentava-se na cadeira de balanço e lá ficava, olhar perdido voltada para os fundos, o quintal que para mim era cheio de vida. 
As plantas, malvas, camomilas, cebolinhas, o paiol com o tacho de fazer sabão, lá ficaram durante um tempo abandonados.

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