Minha avó e meu avô maternos
Dona Lídia, era casada com seu Avelino, 8 filhos, dedicação à casa, ao marido, à cozinha, com seu cabelo preso, roupas simples, também costurava.
A casa, um pouco acima da nossa, na mesma rua, estilo português, dava (e dá, a casa ainda resiste firme e forte) diretamente na rua.
A outra entrada, era a da padaria dirigida pelo meu avô. Balcão de madeira, outro balcão para as contas atrás, bem alto. Na passagem para a casa um compartimento abarrotado de farinha e a balança de chão. Era uma alegria subir nos sacos e de lá saltar.
Quando chegávamos minha avó estava cozinhando ou lavando, ajudada por um piazinho, a quem chamávamos de Uruzinho. O café era na caneca esmaltada, e a despensa continha alimentos que não pereciam. O mais impressionante, uma lata com banha de porco e pedaços do mesmo já cozidos.
O prato mais memorável e saboroso de minha avó era o macarrão de forno feito por ela, grandes tiras recheadas de frango refogado, bem corado e temperado.
Algumas vezes fui dormir na casa deles, em uma cama de solteiro no canto do quarto deles, a colcha verde e branco, e o cheiro de sabão, que era também feito em casa, em tacho de cobre.
Depois da cozinha havia um corredor que dava para a padaria com o forno nos fundos, os padeiros dando forma aos pães d'água e sovado. A massa saia do enorme cilindro, impressionava as crianças que ousavam se debruçar para ver a pá girando.
O quintal era comprido, dava para a rua de trás. Havia quartos para os padeiros e um abrigo para a charrete e os cavalos.
A charrete servia para fornecer pão percorrendo a Lapa. Os demais fregueses iam à padaria, todos tinham sua caderneta, as compras eram anotadas e pagas no fim do mês.
E o que dizer do pão? Grande, torrado, saboroso, para nós crianças, bastava a metade. E havia também bolachas e a broa. Em vidros compridos, bala de goma.
Quando meus avós já estavam com os filhos encaminhados, a padaria passou para o tio Osmário. Lídia e Avelino se mudaram para a casa da frente. Todo domingo havia almoço com sobremesa.
Páscoa e Natal eram comemorados com toda a família, montava-se uma mesa e cada filha e nora cozinhava a especialidade de cada uma.
Na copa a cadeira de meu avô, atrás dele o relógio de parede com suas batidas.
Ficou a imagem dele sentado na cadeira de descanso, e sua mão grande, dedos grossos, estendida para tomarmos a bênção.
Toda a alegria se foi com sua morte.
Como é possível que a morte mude tanto assim a vida dos que ficam?
A casa, um pouco acima da nossa, na mesma rua, estilo português, dava (e dá, a casa ainda resiste firme e forte) diretamente na rua.
A outra entrada, era a da padaria dirigida pelo meu avô. Balcão de madeira, outro balcão para as contas atrás, bem alto. Na passagem para a casa um compartimento abarrotado de farinha e a balança de chão. Era uma alegria subir nos sacos e de lá saltar.
Quando chegávamos minha avó estava cozinhando ou lavando, ajudada por um piazinho, a quem chamávamos de Uruzinho. O café era na caneca esmaltada, e a despensa continha alimentos que não pereciam. O mais impressionante, uma lata com banha de porco e pedaços do mesmo já cozidos.
O prato mais memorável e saboroso de minha avó era o macarrão de forno feito por ela, grandes tiras recheadas de frango refogado, bem corado e temperado.
Algumas vezes fui dormir na casa deles, em uma cama de solteiro no canto do quarto deles, a colcha verde e branco, e o cheiro de sabão, que era também feito em casa, em tacho de cobre.
Depois da cozinha havia um corredor que dava para a padaria com o forno nos fundos, os padeiros dando forma aos pães d'água e sovado. A massa saia do enorme cilindro, impressionava as crianças que ousavam se debruçar para ver a pá girando.
O quintal era comprido, dava para a rua de trás. Havia quartos para os padeiros e um abrigo para a charrete e os cavalos.
A charrete servia para fornecer pão percorrendo a Lapa. Os demais fregueses iam à padaria, todos tinham sua caderneta, as compras eram anotadas e pagas no fim do mês.
E o que dizer do pão? Grande, torrado, saboroso, para nós crianças, bastava a metade. E havia também bolachas e a broa. Em vidros compridos, bala de goma.
Quando meus avós já estavam com os filhos encaminhados, a padaria passou para o tio Osmário. Lídia e Avelino se mudaram para a casa da frente. Todo domingo havia almoço com sobremesa.
Páscoa e Natal eram comemorados com toda a família, montava-se uma mesa e cada filha e nora cozinhava a especialidade de cada uma.
Na copa a cadeira de meu avô, atrás dele o relógio de parede com suas batidas.
Ficou a imagem dele sentado na cadeira de descanso, e sua mão grande, dedos grossos, estendida para tomarmos a bênção.
Toda a alegria se foi com sua morte.
Como é possível que a morte mude tanto assim a vida dos que ficam?
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