O quintal
As casas todas tinham quintal. Jardim de frente para a rua, apenas as que eram recuadas. Assim era nossa casa na Av. Manoel Pedro. Roseiras, duas palmeiras que meu pai mandou vir não se sabe de onde, uma primavera (ou buganvília) que cobria o caramanchão, glicínia, hortênsias, cravos, e o gramado.
A aventura corria solta mesmo era no quintal. Após o pátio calçado havia a cerca que dava para o quintal, chamado de quintal das galinhas para diferenciar do quintal ao lado, uma pretensa horta. Nela quase nada crescia, precisava de cuidados e tempo, este minha mãe quase não tinha. Dominando a horta, uma macieira na qual eu subia e no tempo de maçãs colhia as poucas maiores e mais maduras. Sempre com o risco de cair, o que nunca aconteceu.
As pereiras se enfileiravam no quintal das galinhas. Nos fundos o chiqueiro e o galinheiro. De vez em quando descobria-se um ovo ainda quente no meio da palha. E no chiqueiro um porquinho, quase sempre presente que meu pai recebia em gratidão pelos serviços do escritório de advocacia.
No verão, férias, e a vontade de se refrescar levaram ao projeto de cavar uma piscina. Ficou uma lameira, e a corda pendurada na pitangueira servia para nos perdurarmos e passar de um lado a outro, como víamos no circo e nos filmes de Tarzan. Dois primos convocados pela minha mãe encheram a "piscina" com terra, era muita sujeira. Lembrar que a roupa de toda a filharada e da casa era lavada em tanques, esfregada, deixada de molho em bacias, depois enxaguadas e penduras nos arames do quintal. As roupas brancas eram alvejadas com anil.
A pereira dos fundos só dava pera dura, chamada de pera de porco. A figueira produzia aos montes, também no verão.
E o surpreendente pé de caqui coração de boi. Uma delícia quando bem maduro, senão amarrava.
Sem esquecer da casinha. Antes e mesmo depois que as casas já tinham banheiro interno, as casinhas eram as privadas, em geral com dois buracos redondos um grande e outro para as crianças. Como papel higiênico, velhas revistas. Mau cheiro e medo de cair na porcaria...
Certa vez veio um carregamento do engenho de erva mate, que fora de meu avô paterno, para servir de adubo na horta.
Lá ficou um tempão, ao lado do limoeiro e serviu para a gente se enfiar na erva fofa.
Minha mãe, a cozinheira e a pagem ficavam mais dentro de casa. Assim as loucuras no quintal ficavam por conta e risco das próprias crianças. Não éramos, como se diz hoje, monitoradas o tempo todo. Havia perigo e risco? Sim, mas dávamos conta.
Foi o caso quando usei um cabo de vassoura para servir como
barra entre o tronco de duas pitangueiras. Depois de algumas acrobacias, caí de cabeça quando o cabo finalmente quebrou. Meio sem sentido me levantei e logo estava pronta para escalar muros e árvores.
A aventura corria solta mesmo era no quintal. Após o pátio calçado havia a cerca que dava para o quintal, chamado de quintal das galinhas para diferenciar do quintal ao lado, uma pretensa horta. Nela quase nada crescia, precisava de cuidados e tempo, este minha mãe quase não tinha. Dominando a horta, uma macieira na qual eu subia e no tempo de maçãs colhia as poucas maiores e mais maduras. Sempre com o risco de cair, o que nunca aconteceu.
As pereiras se enfileiravam no quintal das galinhas. Nos fundos o chiqueiro e o galinheiro. De vez em quando descobria-se um ovo ainda quente no meio da palha. E no chiqueiro um porquinho, quase sempre presente que meu pai recebia em gratidão pelos serviços do escritório de advocacia.
No verão, férias, e a vontade de se refrescar levaram ao projeto de cavar uma piscina. Ficou uma lameira, e a corda pendurada na pitangueira servia para nos perdurarmos e passar de um lado a outro, como víamos no circo e nos filmes de Tarzan. Dois primos convocados pela minha mãe encheram a "piscina" com terra, era muita sujeira. Lembrar que a roupa de toda a filharada e da casa era lavada em tanques, esfregada, deixada de molho em bacias, depois enxaguadas e penduras nos arames do quintal. As roupas brancas eram alvejadas com anil.
A pereira dos fundos só dava pera dura, chamada de pera de porco. A figueira produzia aos montes, também no verão.
E o surpreendente pé de caqui coração de boi. Uma delícia quando bem maduro, senão amarrava.
Sem esquecer da casinha. Antes e mesmo depois que as casas já tinham banheiro interno, as casinhas eram as privadas, em geral com dois buracos redondos um grande e outro para as crianças. Como papel higiênico, velhas revistas. Mau cheiro e medo de cair na porcaria...
Certa vez veio um carregamento do engenho de erva mate, que fora de meu avô paterno, para servir de adubo na horta.
Lá ficou um tempão, ao lado do limoeiro e serviu para a gente se enfiar na erva fofa.
Minha mãe, a cozinheira e a pagem ficavam mais dentro de casa. Assim as loucuras no quintal ficavam por conta e risco das próprias crianças. Não éramos, como se diz hoje, monitoradas o tempo todo. Havia perigo e risco? Sim, mas dávamos conta.
Foi o caso quando usei um cabo de vassoura para servir como
barra entre o tronco de duas pitangueiras. Depois de algumas acrobacias, caí de cabeça quando o cabo finalmente quebrou. Meio sem sentido me levantei e logo estava pronta para escalar muros e árvores.
E a casinha de boneca? Quanta saudade! Adorei relembrar tudo isso!
ResponderExcluirAinda vou falar das brincadeiras Jurema
ResponderExcluirDelícia relembrar disso tudo, conhecer nossa história por outro ângulo e, como irmão mais novo que não participava de tudo, ainda ficar sabendo de muitos novos detalhes.
ResponderExcluirEsqueceu de contar que, ao entrar no galinheiro, uma galinha que estava chocando voou na sua direção para defender o ninho. Dali pra frente você só quis ver penosas no prato de comida.
A "piscina", um buraco na terra, esvaziava, claro. Tentamos pavimentar com cal, único material de construção que havia na casa, talvez para fazer doce de abóbora em pedaços. Então, nosso banho consistia em lama com cal.
Susto enorme. Quando caiu da "barra" entre as pereiras, você ficou sem fôlego por um bom tempo.