Brincar, brincar, brincar...
O meu primeiro brinquedo foi um urso de pelúcia recheado com areia que ficou inutilizado depois de um mergulho na banheira. Isso contava minha mãe.
Mais brinquedos viriam, principalmente, mais e mais brincadeiras. No quintal, subir em árvores, no telhado, escalar muros, pular corda, ganhavam impulso quando os primos e primas, além dos vizinhos, apareciam.
Meu pai mandou construir duas casinhas, uma para mim, outra para minha irmã. Eram de madeira e com comunicação por uma portinha, as janelas se fechavam com tranca. Imitávamos a lida doméstica: organizar a casinha, limpar e deixar tudo um brinco, encerar, por os móveis no lugar, um vaso com flor na mesinha, mas, principalmente, soltar a imaginação. O mundo como que ficava em suspenso, o tempo parava ali dentro.
Quando nas férias de verão chegavam os netos de Seu Amaral, nosso vizinho, nos transformávamos em polícia e ladrão. A emoção era descobrir os que haviam se escondido. Com a correria vinham o suor, a sede e a fome. Por vezes montávamos nos cavalos e era uma desabalada desde a casa até o portão que dava para a rua. Os galhos dos marmeleiros batiam no rosto, mas isso não nos atrapalhava.
Não havia adultos por perto, muita liberdade e total alegria. Com o chamado para o almoço, o café da tarde ou o jantar, cada um ia para sua casa.
Quando a família de minha avó paterna vinha de férias, as aventuras se passavam no casarão. Extenso quintal, quartos e o porão se transformavam em castelos, a aventura só dependia da imaginação. Dois anos seguidos, eu, minha irmã, junto com as primas Nina e Vera Maria apresentávamos no terraço um tipo de teatro de variedades, com peças ensaiadas, dança, canto. Cobrávamos um ou dois cruzeiros de ingresso, dinheiro gasto em picolés, que chamávamos de dolé, os do Baiano ou do Seu "Dorico". Os adultos se acomodavam nos bancos e cadeiras, o pano se abria e o espetáculo, quase sempre hilário, recebia os aplausos. A gaveta da cômoda que ficava no quarto do meio continha várias fantasias de meus tios que serviam para caracterizar nossos personagens.
Com chuva ou no inverno, cabanas dentro de casa e alguma bagunça. Com tempo bom, alguns jogos com bola. Houve a época do bete ombro, que nos punha no auge da excitação. Em frente à casa da Tia Lourdes, moravam os Zarur. Miguelzinho Zarur organizou no pátio dos fundos as competições que duravam tempo e nos deixavam exaustos e felizes. Brincadeiras se sucediam conforme o que estava na "moda". Diábolo, corda, roda, pega-pega, esconde-esconde, polícia e ladrão.
Folguedos que nos preparavam para enfrentar a vida adulta, da qual não tínhamos consciência alguma.
Mais brinquedos viriam, principalmente, mais e mais brincadeiras. No quintal, subir em árvores, no telhado, escalar muros, pular corda, ganhavam impulso quando os primos e primas, além dos vizinhos, apareciam.
Meu pai mandou construir duas casinhas, uma para mim, outra para minha irmã. Eram de madeira e com comunicação por uma portinha, as janelas se fechavam com tranca. Imitávamos a lida doméstica: organizar a casinha, limpar e deixar tudo um brinco, encerar, por os móveis no lugar, um vaso com flor na mesinha, mas, principalmente, soltar a imaginação. O mundo como que ficava em suspenso, o tempo parava ali dentro.
Quando nas férias de verão chegavam os netos de Seu Amaral, nosso vizinho, nos transformávamos em polícia e ladrão. A emoção era descobrir os que haviam se escondido. Com a correria vinham o suor, a sede e a fome. Por vezes montávamos nos cavalos e era uma desabalada desde a casa até o portão que dava para a rua. Os galhos dos marmeleiros batiam no rosto, mas isso não nos atrapalhava.
Não havia adultos por perto, muita liberdade e total alegria. Com o chamado para o almoço, o café da tarde ou o jantar, cada um ia para sua casa.
Quando a família de minha avó paterna vinha de férias, as aventuras se passavam no casarão. Extenso quintal, quartos e o porão se transformavam em castelos, a aventura só dependia da imaginação. Dois anos seguidos, eu, minha irmã, junto com as primas Nina e Vera Maria apresentávamos no terraço um tipo de teatro de variedades, com peças ensaiadas, dança, canto. Cobrávamos um ou dois cruzeiros de ingresso, dinheiro gasto em picolés, que chamávamos de dolé, os do Baiano ou do Seu "Dorico". Os adultos se acomodavam nos bancos e cadeiras, o pano se abria e o espetáculo, quase sempre hilário, recebia os aplausos. A gaveta da cômoda que ficava no quarto do meio continha várias fantasias de meus tios que serviam para caracterizar nossos personagens.
Com chuva ou no inverno, cabanas dentro de casa e alguma bagunça. Com tempo bom, alguns jogos com bola. Houve a época do bete ombro, que nos punha no auge da excitação. Em frente à casa da Tia Lourdes, moravam os Zarur. Miguelzinho Zarur organizou no pátio dos fundos as competições que duravam tempo e nos deixavam exaustos e felizes. Brincadeiras se sucediam conforme o que estava na "moda". Diábolo, corda, roda, pega-pega, esconde-esconde, polícia e ladrão.
Folguedos que nos preparavam para enfrentar a vida adulta, da qual não tínhamos consciência alguma.
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