Colégio São José (cont.)
Havia muitas festas e comemorações, as apresentações no teatro do próprio colégio exigiam ensaios, fantasias e emoção. Ao final dos preparativos, chegava o grande dia.
Uma das primeiras apresentações deu trabalho para as mães. Nós, as meninas, deveríamos ter 7 anos, iam se fantasiar de pintinhos, vestidas com tecido de pelúcia amarela, a compra foi feita para todas as roupinhas, e mostrada para as mães na sala de música, onde havia um piano e onde também ocorriam os ensaios.
Outra apresentação memorável foi a das bonecas que saiam de caixas vestidas com trajes típicos: a italiana, a espanhola, a portuguesa, a francesa. Cada qual deveria cantar um trecho na língua do país de origem e entrar novamente na caixa. Sucesso e alegria de não ter dado vexame. Tive que decorar os versos da canção La Vie en Rose, que repeti à exaustão até aprender, claro, sem saber o significado.
Em sala de aula, com carteiras para dois alunos e tampo, havia um tinteiro no buraco próprio, cadernos para fazer contas, e livro de leitura. Líamos em voz alta as lições de Português com as histórias da família de Pedrinho e Maria Clara, cujo contexto servia como aprendizado para a vida prática e moral. Por exemplo, organizar a casa: "um lugar para cada coisa e cada coisa em seu lugar". As composições (assim eram chamadas as redações) eram descrições de cenas de grandes cartazes que ficavam em um tripé e eram folheadas uma a uma, sempre uma surpresa, sempre relativo ao universo infantil e interiorano, como uma pescaria, um sítio com animais domésticos, uma cozinha e outros semelhantes.
Irmã Emília se dispôs a me dar aulas de francês, língua na qual as "ma soeurs" se comunicavam. Meu pai a apelidou de "irmã tchau", nos dava adeus quando coincidia de passarmos na hora em que ela fechava as compridas venezianas do colégio.
O lado triste, que só as meninas internas conheciam, me foi apresentado pela Ana Néri. Certa vez me levou ao dormitório das alunas internas, suas camas enfileiradas, o frio que sentia, e as refeições das quais tinha até nojo.
Na aguardada hora do recreio comíamos a merenda, que às vezes ficara amassada no meio da mala, ou nos acotovelávamos na janela que se abria para a cantina para comprar doces. Uma delícia os pirulitos em forma de cone, e a paçoca feitos pelas próprias freiras. A paçoca era vendida no pátio, vinha quentinha, acomodada no próprio avental da irmã, como se fosse um cesto. Em seguida a correria era para o pátio.
Voávamos no pátio de tijolos, as vozes ecoavam e quase abafavam o som do machado do cortador de lenha.
Uma das primeiras apresentações deu trabalho para as mães. Nós, as meninas, deveríamos ter 7 anos, iam se fantasiar de pintinhos, vestidas com tecido de pelúcia amarela, a compra foi feita para todas as roupinhas, e mostrada para as mães na sala de música, onde havia um piano e onde também ocorriam os ensaios.
Outra apresentação memorável foi a das bonecas que saiam de caixas vestidas com trajes típicos: a italiana, a espanhola, a portuguesa, a francesa. Cada qual deveria cantar um trecho na língua do país de origem e entrar novamente na caixa. Sucesso e alegria de não ter dado vexame. Tive que decorar os versos da canção La Vie en Rose, que repeti à exaustão até aprender, claro, sem saber o significado.
Em sala de aula, com carteiras para dois alunos e tampo, havia um tinteiro no buraco próprio, cadernos para fazer contas, e livro de leitura. Líamos em voz alta as lições de Português com as histórias da família de Pedrinho e Maria Clara, cujo contexto servia como aprendizado para a vida prática e moral. Por exemplo, organizar a casa: "um lugar para cada coisa e cada coisa em seu lugar". As composições (assim eram chamadas as redações) eram descrições de cenas de grandes cartazes que ficavam em um tripé e eram folheadas uma a uma, sempre uma surpresa, sempre relativo ao universo infantil e interiorano, como uma pescaria, um sítio com animais domésticos, uma cozinha e outros semelhantes.
Irmã Emília se dispôs a me dar aulas de francês, língua na qual as "ma soeurs" se comunicavam. Meu pai a apelidou de "irmã tchau", nos dava adeus quando coincidia de passarmos na hora em que ela fechava as compridas venezianas do colégio.
O lado triste, que só as meninas internas conheciam, me foi apresentado pela Ana Néri. Certa vez me levou ao dormitório das alunas internas, suas camas enfileiradas, o frio que sentia, e as refeições das quais tinha até nojo.
Na aguardada hora do recreio comíamos a merenda, que às vezes ficara amassada no meio da mala, ou nos acotovelávamos na janela que se abria para a cantina para comprar doces. Uma delícia os pirulitos em forma de cone, e a paçoca feitos pelas próprias freiras. A paçoca era vendida no pátio, vinha quentinha, acomodada no próprio avental da irmã, como se fosse um cesto. Em seguida a correria era para o pátio.
Pular corda requeria habilidade, tinha que ser rápido, fazer a contagem e aprender a pular com as duas cordas, para um lado e outro. Em geral as meninas mais altas é que boleavam as cordas. Uma das brincadeiras favoritas era a de roda, só para as meninas. Os meninos subiam até o pátio de areia para jogar futebol.
Quanto maior a roda, e quando sob o comando de uma colega mais velha, melhor. "Linda menina entrai na roda, e escolhei a mais faceira. A mais faceira eu não quero, quero a boa companheira".Voávamos no pátio de tijolos, as vozes ecoavam e quase abafavam o som do machado do cortador de lenha.
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